***Por trás dos bastidores***

Eis que fecha a cortina do teatro, o espetáculo acabou. Entre e comente, a porta dos bastidores está aberta!

Friday, August 25, 2006

Você e você, eu e eu


Não sei se com vocês é assim, mas comigo isso acontesse freqüentemente. Você está se arrumando pra sair mas o desânimo é tanto, que parece não existir nenhum lugar bom na cidade. Aquela música que você tanto amava toca no rádio e agora você troca a estação. Aquele homem que semana passada era o mais bonito do lugar, hoje não tem a menor importância. Aquele perfume doce que você adora é trocado por um cítrico. Aí você começa a pensar na vida e só esse momento de "solidão" pra mostrar que antes de tudo, você é sua melhor companhia. Se ontem você era tudo de bom na opinião daquela pessoa e hoje não é mais, não vai fazer a menor diferença. Você trocaria o convite da festa mais cara por um vinho Chapinha e ficaria numa boa. Nada vai te deixar pra baixo, você tem você e você se adora. Tem horas que erra demais, fala algumas coisas sem pensar, paga mico e se arrepende. Mas você se adora mesmo assim e isso nunca vai mudar, ninguém vai mudar e você não quer que mude. Você não precisa procurar alguém pra te deixar feliz já que você é feliz. Ninguém vai te completar porque você já é completa. Pessoas bem resolvidas atraem pessoas bem resolvidas. Você tem amigos, família, pessoas que ama e antes disso tudo, você tem você. Mesmo sem querer, nós reclamamos, queremos demais e não sabemos aproveitar o que já temos. Isso nos faz depender muito de tudo. É claro que precisamos e gostamos de ajuda e de amigos, mas esquecemos da gente. Já me odiei muitas vezes e me perdoei enúmeras outras. Influenciamos as pessoas e somos influenciadas por elas, é inevitável, mas antes disso, temos uma sementinha que alguns chamam de essência. Quem vai regar a sua senão você? Não vejo problema em olhar para o próprio umbigo de vez em quando. Você, sua melhor companhia.

"Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo de chuvas tempestativas, nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite." (Clarice Lispector)

Tuesday, August 01, 2006

Fazer o que se gosta

Amores, gostei tanto desse texto que quero dividir com vocês. Foi escrito por Stephen Kanitz (24/11/2004, revista Veja).

"A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos pais, orientadores vocacionais acabam recomendando "fazer o que se gosta", um conselho confuso e equivocado. Empresas pagam a profissionais para fazer o que a comunidade acha importante ser feito, não aquilo que os funcionários gostariam de fazer, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia. Seria um mundo perfeito se as coisas que queremos fazer coincidissem exatamente com o que a sociedade acha importante ser feito. Mas, aí, quem tiraria o lixo, algo necessário, mas que ninguém quer fazer?
Toda semana recebo jovens que querem trabalhar em minha consultoria num projeto social. "Quero ajudar os outros, não quero participar desse capitalismo selvagem". Nesses casos, peço que deixem comigo os sapatos e as meias e voltem em uma semana. É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros dizer que eles não ajudam os outros. A maioria das pessoas que ajudam os outros o faz de graça.
As coisas que realmente gosto de fazer, como jogar tênis, velejar, e organizar o Prêmio Bem Eficiente, eu faço de graça. O "ócio criativo", o sonho brasileiro de receber um salário para "fazer o que se gosta", somente é alcançado por alguns professores felizardos de filosofia que podem ler o que gostam em tempo integral. O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem "fazer o que gostam" ? Pediatras e obstetras atendem às 2 da manhã. Médicos e enfermeiros atendem aos sábados e domingos não porque gostam, mas porque isso tem que ser feito. Empresas, hospitais, entidades beneficientes estão aí para fazer o que é preciso aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que tem que ser feito do que os egoístas que só querem "fazer o que gostam".
Então teremos que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida chata e opressiva? Existe um final feliz. A saída para esse dilema é aprender a gostar do que você faz. E isso é mais fácil do que você pensa. Basta fazer seu trabalho com esmero, bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e da perfeição.
Aliás, isso não é um conselho simplesmente profissional, é um conselho de vida. Se algo vale a pena ser feito na vida, vale a pena ser bem feito. Viva com esse objetivo. Você poderá não ficar rico, mas será feliz. Provavelmente, nada lhe faltará, porque se paga melhor àqueles que fazem o trabalho bem feito do que àqueles que fazem o mínimo necessário.
Descubra suas habilidades naturais, que permitirão que realize seu trabalho com distinção e o colocarão à frente dos demais. Muitos profissionais odeiam o que fazem porque não se prepararam adequadamente, não estudaram o suficiente, não sabem fazer aquilo que gostam, e aí odeiam e fazem mal feito.
Se você não gosta de seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor em sua área, destaque-se pela precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado, e outras portas se abrirão. Começará a ser até criativo, inventando coisa nova, e isso é um raro prazer.
Faça seu trabalho mal feito e você odiará o que faz, odiando a sua empresa, seu patrão, seus colegas, seu país e a si mesmo."

"Nada que é feito com amor é pequeno ou sem valor." J. Hamilton M. César

No primeiro dia de aula na faculdade, a coordenadora perguntou por quê a gente escolheu Terapia Ocupacional. A mulherada empolgada (inclusive eu) começou a dizer que gosta de ajudar as pessoas. Ela deu um sorriso e falou: "Nosso curso é lindo mas a gente não tá aqui pra ajudar, a gente vai receber pelo nosso trabalho." Entrei pra faculdade com o pensamento de "Vou fazer o que gosto." Chegando lá dei de cara com uma matéria chamada Citologia e Histologia e estou agarrada nela até hoje. Hahaha...