***Por trás dos bastidores***

Eis que fecha a cortina do teatro, o espetáculo acabou. Entre e comente, a porta dos bastidores está aberta!

Monday, April 09, 2007

Observando a vida alheia


Fulana era uma dessas pessoas lindas, desejadas e traumatizadas. Tinha trauma de alguma coisa, essa só pode ser a única justificativa para tamanha rebeldia. Não sou eu que estou falando, ela mesma assumiu o tanto que era rebelde. Quem sou eu pra falar dela, sempre foi dona dos melhores conselhos, do melhor corpo, cabelo e do coração dos homens mais bonitos. Nunca namorou porque não via graça em ninguém, pegava o carro e viajava com as amigas em qualquer época do ano, não se preocupava em entrar para a faculdade. Criticava casamentos e vida normal. Hoje, berando os trinta anos, Fulana é uma dessas pessoas lindas, desejadas e traumatizadas. Dona dos melhores conselhos mas na prática é dona da frase "faça o que digo e não o que faço". Não namora porque não vê graça em ninguém, o carro não é mais o mesmo, as amigas mudaram assim como todas as pessoas e ela sonha em se casar de branco. Formou em turismo e vive viajando em pensamentos. As meninas mais novas dizem que Fulana é a prova viva que existe vida de solteira após os vinte e cinco anos. Digo que Fulana é a prova viva que nem tudo é cronometrado e não está escrito que em determinada idade você deve fazer tal coisa. Digo que acredito em destino mas também em escolhas. Ao menos ela é uma pessoa feliz, tomara.

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Dois em um! Demorei pra escrever mas agora escrevi dois textos numa sentada só, o de baixo também é novo, tá?
Beijos e Feliz Páscoa!
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Sem medo de ser feliz


- Contei pra ele que segui o carro dele.
- Não acredito! Você faz as coisas escondido e depois conta, sua doida!

Que existe limite entre razão e coração todo mundo já sabe. Uma pessoa considerada normal e consciente sabe o que deve ou não fazer. O problema é que tudo está tão racional que as pessoas se perdem e ficam sem ar de tanto abafar sentimentos. Se tivéssemos que escolher entre "deixar rolar" e "tudo friamente calculado", daríamos um jeito de forjar as alternativas e enrolar na escolha por puro medo das conseqüências. Trocamos as rugas do sorriso por rugas entre as sombrancelhas, colocamos a bolsa na cadeira ao lado pra ninguém se atrever a sentar, justificamos qualquer ato como forma de jogo e construímos uma bolha ao nosso redor por medo de ser feliz. Cada detalhe é analisado e qualquer errinho se transforma num grande motivo para tudo acabar. Daqui a alguns anos as pessoas terão somente a visão central, ninguém olha pro lado e abraços serão confundidos e/ou criticados. Se a pessoa considerada doida é aquela que enxerga o amor sem receita de bolo, sem bula, sem mapa, simples como deve ser e que brota sem medo de ser cortado, eu adoraria ser chamada de doida. A razão tem prazo de validade. Já deixou o coração falar?